Vida eterna é tema central do Dia de Todos os Santos e de Finados

Precedido pelo Dia de Todos os Santos, o Dia de Finados, cuja memória litúrgica é celebrada no dia 2 de novembro, lembra que existe uma vida após a morte e que a Ressurreição e a vitória de Cristo sobre a morte é a esperança que move os cristãos. “A relação direta é que em ambas a Igreja celebra a vida de seus filhos ressuscitados em Jesus Cristo”, explica o capelão da Capela de Nossa Senhora das Graças da Medalha Milagrosa, em Sobral, Pe. José Fábio da Mota.

A memória dos fiéis defuntos não celebra a morte, “mas a vitória que Cristo nos mereceu derrotando o pecado e a morte no Madeiro da Cruz, ressuscitando ao Terceiro Dia e nos garantindo a participação eterna na Sua Graça. Portanto, celebramos a Vida para além da morte”, explica Pe. Fábio. Também é tempo de refletir acerca das atitudes e de como está a caminhada para Deus. A Igreja também nos ensina a rezar pelos falecidos, já que existe uma comunhão entre a Igreja militante na terra e a Igreja gloriosa no céu que intercedem pela Igreja padecente no purgatório e juntas formam o único Corpo Místico de Cristo. .
Confira entrevista completa com Pe. José Fábio da Mota.

Correio da Semana – O Dia de Finados para os cristãos é celebrado como uma exaltação da Vida Eterna?
Pe. José Fábio da Mota – A Igreja, na sua liturgia, reserva um dia para vivenciarmos essa memória, mais direta, aos fiéis defuntos não para celebrar a morte, mas a vitória que Cristo nos mereceu derrotando o pecado e a morte no Madeiro da Cruz, ressuscitando ao Terceiro Dia e nos garantindo a participação eterna na Sua Graça. Portanto, celebramos a Vida para além da morte. Exaltamos a misericórdia de Deus salvando a cada um de nós. Se faz necessário neste dia refletirmos sobre as nossas atitudes e a necessidade de melhoramento durante a caminhada nos preparando para o Grande Dia de nosso encontro com o Senhor.

Correio – Por que celebrar o dia dos fiéis falecidos? Como deve ser a oração pelos falecidos?
Pe. Fábio – Porque a Igreja celebra a vida de todos os seus filhos. Por mais que na sua fragilidade você esquecesse de algum familiar seu falecido, a Igreja jamais esquecerá nenhum de seus filhos, membros de seu Corpo Místico. Portanto, a Doutrina da Igreja através de seu Catecismo a respeito desta obrigação afirma: “Reconhecendo claramente esta comunicação de todo o Corpo místico de Cristo, a Igreja dos que ainda peregrinam venerou, com muita piedade, desde os primeiros tempos do cristianismo, a memória dos defuntos; e, “porque é um pensamento santo e salutar rezar pelos mortos, para que sejam livres de seus pecados” (2 Mac 12, 46), por eles ofereceu também sufrágios» (521). A nossa oração por eles pode não só ajudá-los, mas também tornar mais eficaz a sua intercessão em nosso favor.” (CIC, § 958)
Todas as orações que fizermos, em comunhão com a Igreja, pela intenção de nossos irmãos que partiram são válidas. Pode ser a oração do Santo Terço ou a participação na Santa Missa, que aliás, em todo Sacrifício celebrado a Igreja reza por seus falecidos.

Correio – O Dia de Finados é antecedido pelo dia de todos os Santos. Existe relação direta entre as duas datas?
Pe. Fábio – A Igreja na sua liturgia celebra a vida, desde a concepção até a ressurreição, vivenciado pelo tempo litúrgico (Advento e Natal; Tempo comum em dois momentos; Quaresma e Tríduo Pascal; Páscoa) e meses temáticos. De forma que antes da Festa de Cristo Rei do Universo se reserva no Calendário Litúrgico uma memória toda especial aos Fiéis Defuntos e uma outra especial à Todos os Santos. A relação direta é que em ambas a Igreja celebra a vida de seus filhos ressuscitados em Jesus Cristo. A partir do século XIII é que foi fixado para o dia 02 de novembro em virtude de no dia 1º ser celebrado a Festa de Todos os Santos.

Correio – Qual o Ensinamento da Igreja a respeito da Comunhão dos Santos?
Pe. Fábio – O Catecismo da Igreja Católica, CIC, afirma que a Comunhão dos Santos significa: “Comunhão, pois é por este sacramento que nos unimos a Cristo, o qual nos torna participantes do seu corpo e do seu sangue, para formarmos um só corpo (161); chama-se ainda as coisas santas («tà hágia»; «sancta») (162) – é o sentido primário da «comunhão dos santos» de que fala o Símbolo dos Apóstolos –, pão dos anjos, pão do céu, remédio da imortalidade (163), viático…” (CIC, 1331)
A Comunhão dos Santos é a união de todos os fiéis vivos na terra e, falecidos no céu ou no purgatório em Comunhão com o Senhor. Nossa igreja reúne todos os seus fiéis em torno do Cristo, Senhor e Salvador da humanidade, ou seja, todos unidos formamos o único Corpo Místico de Cristo.

%d blogueiros gostam disto: