“A fé que não se traduz em obras é vã”

(Tiago, 2, 20) – Pe. Assis – 17.03.18.

Se o Jornal Centenário, Correio da Semana, encontra dificuldades para continuar vivo hoje e para alcançar os objetivos para os quais foi criado, podemos imaginar no início de suas atividades, com os poucos recursos técnicos, financeiros, pessoais e profissionais, com tipos de madeira, organizados em chapas aparafusadas para as letras e as impressões não se desperdiçarem, mais tarde com o velho linotipo, fabricando letras feitas com chumbo derretido, junto ao barulho das máquinas impressoras e de datilografia, tudo faz lembrar o heroísmo, a coragem, a tenacidade de Dom José e de sua incontável equipe de articulistas, cronistas e jornalistas que externavam todos os sentimentos desta região.

Quando o nosso Jornal completou 90 anos, eu fazia parte da equipe diretora e divulgamos algumas opiniões de amigos e colaboradores. Um deles foi o Professor Teodoro Soares, ex-seminarista, admirador de Dom José que, à época, era Reitor da UVA e ajudava muito à Diocese. Referindo-se à data ele destacou a importância e a riqueza deste Jornal para a cultura de nossa gente e acrescentou: “desde a antiga linotipia à moderna impressão digital, o Correio percorreu uma trajetória que serve de orgulho a Sobral, por se manter no cenário da imprensa cearense, como o mais longevo dos veículos. Merece não só o reconhecimento, mas o apoio de todos os seus conterrâneos”.

Ele falava de reconhecimento e apoio porque ele mesmo, o Professor Teodoro, havia feito grande esforço para sustentar o semanário que não estava caminhando muito bem, sob o aspecto econômico.  Fizera uma parceria com o então Bispo Diocesano, Dom Aldo, para unir o recém-fundado Jornal da UVA, o “Expresso do Norte”com o já veterano Jornal “Correio da Semana” e assim as despesas diminuiriam. Seriam dois jornais num só: o iniciante “Expresso do Norte” se tornaria conhecido e a experiência do “Correio da Semana” lhe daria respaldo, contando com um só gasto que os Institutos da UVA assumiriam. Foi, sem dúvida, a mais reta das intenções. Mas não deu certo: divergências editoriais, objetivos diferentes, a ousadia do iniciante, a prudência do veterano levaram ao fim da parceria. Era melhor cada um caminhar por conta própria e permanecer com sua identidade. E assim se fez. O novo jornal durou pouco. O Correio continuou tentando desenvolver os objetivos e a missão que, desde o início, lhe foram pautados.

Que Dom José, já na glória do Pai, continue a interceder pelos Meios de Comunicação que ele deixou na sua querida Diocese de Sobral – o Jornal Correio da Semana e a Rádio Educadora – para que eles permaneçam fiéis às finalidades para as quais foram criados. Que ambos sejam um prolongamento dos púlpitos das Igrejas de cada Paroquia, construtores da nossa Historia e preservadores da memoria de todos nós. Que ambos continuem a fazer parte das maravilhas que o engenho humano foi capaz de criar no dizer do Concílio.

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