Bons exemplos temos…

Anteontem observei pais discutirem sobre alguns ídolos apresentados à nossa juventude. Lamentavam o fato de os brasileiros em formação carecerem demasiadamente de boas referências, de figuras que possam contribuir na descoberta de vocações e que colaborem no direcionamento de suas vidas. Citavam, ainda, o desinteresse desta garotada em aprofundar a busca desses vultos, subutilizando, inclusive, o que nos possibilita a Internet.

 

Mas será mesmo pequena a quantidade de bons exemplos no País? O desinteresse em procurá-los, descobri-los será apenas dos jovens? E qual a influência da mídia nesse questionamento?

 

Creio que, procurando, ainda são encontrados muitos bons exemplos em todos os segmentos da sociedade. Estimular essa busca compete à família, que se deve munir de conhecimento da vida e obra dos grandes vultos do passado e do presente dignos de mais reconhecimento e divulgação. Por outro lado, pais, educadores e formadores de opinião deveriam demonstrar de forma clara a diferença entre os verdadeiros e os falsos exemplos. Devem insistir no desmascaramento de certos tipos de “heróis, famosos, modelos a ser seguidos”, tais como atores, cantores, jogadores, políticos, profissionais liberais, ex-BBB´s, etc. Muitos desses são, com as devidas exceções, os “maus exemplos” hoje produzidos pela parte irresponsável e nociva da mídia. Vale salientar que nessa área há também quem se propõe a trabalhar para o bem da sociedade. Só que sua intenção quase sempre é sufocada pelos que defendem interesses financeiros e escusos.

 

Já que se aproxima o Dia Nacional da Consciência Negra (20/11), relembro aqui apenas três nomes – três exemplos de vida – que também lutaram pela liberdade tão sonhada pelo herói Zumbi dos Palmares (1655 -1695).  Obviamente existem outros nomes merecedores de inclusão neste pequeno comentário, inclusive em nível mundial. Mas deixo para o leitor a tarefa de acrescentá-los.

 

Em nível local, destaco Cosme Bento das Chagas (1800 – 1842), conhecido como Negro Cosme, escravo livre que nasceu em Sobral (CE) e daqui saiu para ser líder na Balaiada (1838-1840, rebelião ocorrida no Maranhão. Negro Cosme comandou mais de 3.000 revoltosos e lutou até o fim por sua causa. Terminou preso e enforcado em praça pública em Itapecuru-Mirim (MA), em 20 de setembro de 1842. Já Maria Tomásia Figueira Lima  (1826-1902?), foi uma sobralense, branca, e que lutou a vida inteira pela libertação dos escravos. Foi cognominada “A Libertadora”, pois durante o dia, em Fortaleza (CE), arrecadava fundos para comprar e libertar escravos; à noite, ajudava companheiros a “roubar” escravos de senzalas e os libertava.

Em nível nacional, ressalto o extraordinário Luís Gonzaga Pinto da Gama (1830 – 1882), negro baiano, que, apesar de filho de mãe negra livre e pai branco, tornou-se escravo aos 10 anos, após ser vendido pelo pai endividado (jogos). Luís Gama alfabetizou-se aos 17 anos; atuou em várias profissões e como autodidata tornou-se rábula, jornalista, escritor, poeta e orador famoso que fez sua própria defesa, conquistando judicialmente sua liberdade. Líder dos republicanos e maçom respeitado, elegeu o fim da escravidão negra no Brasil uma de suas metas principais, chegando a libertar mais de quinhentos negros sem cobrar nada. Morreu de diabetes aos 52 anos, pouco antes de ver seus sonhos concretizados: Abolição da Escravatura (1888) e Proclamação da República (1899).

Depois dessa rápida amostragem, sem nenhum receio de incorrer em grave erro, completo a mensagem iniciada no título deste artigo: “Bons exemplos de brasileiros (homens e mulheres) temos. E muitos. Só falta quem os reconheça e os divulgue mais. Principalmente se eles integram a camada mais humilde e menos lembrada da sociedade. Pense nisso!

 

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