“Devolvam nosso São João”

Abrindo as festividades juninas, quarta-feira (13) comemora-se Santo Antônio, depois São João (24) e São Pedro (29). Vale ressaltar que, antes de a Igreja Católica criar essas datas, alguns povos pagãos já faziam comemorações nesse período do ano. Na Antiguidade, egípcios, celtas, entre outros, realizavam rituais pedindo fartura nas colheitas.

Desde a implantação do São João no Brasil, o Nordeste desponta como a região em que ele atinge seu ápice. A alegria contagiante do forró, a diversidade das comidas típicas e das brincadeiras são um forte atrativo de turistas e de divisas. Campina Grande e Caruaru, na Paraíba, continuam disputando o título de cidade detentora do “Maior São João do Mundo”.

Mas nem tudo é festa como antigamente. Estão tentando banir o autêntico forró do São João. Querem, na marra, colocar no lugar dele o descartável pornoforró e a “música sertaneja”.

E onde fica o legado de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Marinês e outros que tão bem empunharam a bandeira do forró, do baião e do xaxado? Tentam, assim, também sufocar o sonho de inúmeros artistas que hoje defendem a música nordestina. Vale dizer que essa invasão veio privilegiar quem exploram a baixaria, o duplo sentido, ou cantores sertanejos e duplas caipiras famosas, mas que não tem nenhuma identidade com o Nordeste. E muito menos com nosso São João.

Nada contra tais artistas, mas contra o tipo de música que fazem. Se lapidados, de alguns até aparecem boas qualidades. Agora que vá fazer seus shows, arrancar milhões e soltar seus gritos enjoados lá pelos rodeios do sudeste. No Nordeste, não! Por aqui sempre prevaleceu e deverá continuar prevalecendo o autêntico forró.

Mas a quem culpar a entrada do pornoforró e da música sertaneja no São João do Nordeste? Para mim, primeiramente a culpa é de muitos nordestinos que, por desconhecer sua cultura e seus talentos, tornam-se presas fáceis de culturas e de artistas de qualidade duvidosa. Em segundo lugar, governantes (prefeitos e governadores) têm grande parcela de culpa. Além de subestimarem ou até mesmo ignorarem a cultura e os valores da região, esses mandatários são facilmente manipulados por empresários que visam unicamente o dinheiro. Por último, debite à personalidade do artista que topa tudo por dinheiro, inclusive atuar numa ‘praia’ que não é a sua, como cantor sertanejo cantar em Festa de São João. Mas isso é até compreensível, pois não há delimitação legal de espaço para se trabalhar.

E o que fazer, então, para diminuir ou barrar totalmente a invasão do pornoforró e da música sertaneja no São João nordestino?

Creio que urgentemente deve ser mais difundida a cultura nordestina e, no caso aqui enfocado, o autêntico e tradicional São João, principalmente entre crianças, jovens e adolescentes. Exigir de prefeitos e governadores mais respeito e o incentivo às nossas tradições culturais. À população compete estimular e incentivar mais os artistas nordestinos, com a presença e o aplauso.

Ano passado, artistas como Chambinho do Acordeon, Joquinha Gonzaga, Alcymar Monteiro e outros encetara a campanha “DEVOLVAM MEU SÃO JOÃO”, que funcionou como forte puxão de orelha em governantes, empresários e em artistas que desenvolvem estilos musicais não nordestinos. Isso não basta. Com todo respeito aos músicos ‘paraquedistas’ e apesar do seu direito de trabalhar, nesse período o ideal seria a população, principalmente, valorizar mais os artistas da terra que vivem e divulgam a festa junina e a música tradicional. E, de uma madeira até mais radical, boicotar, (mas boicotar, mesmo!) os eventos, empresários e artistas cujas ações vão de encontro aos nossos valores e às nossas tradições.

Enfim, o São João é nosso e deverá assim continuar! Defendê-lo é dever de todo bom nordestino. E com as bênçãos de Santo Antônio, São João e São Pedro!

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Dever de justiça

Como já anunciado, domingo passado (3) apresentei meu último Programa na Rádio Educadora (10h ao meio-dia), cujos motivos também foram informados. Faço questão de deixar patente que isso decorreu de uma decisão puramente pessoal e que não houve “dispensa” ou “rescisão contratual” por parte da Emissora. Aproveito para ratificar meus agradecimentos à Direção, aos colegas e aos ouvintes, bem como a esses pedir minhas desculpas pelas falhas cometidas.

Obrigado, Pe. Lucas!

De modo muito especial agradeço ao Pe. Lucas do Nascimento Moreira, que agora assume também a direção da Educadora. Mesmo extemporaneamente, com sua bondade, sua sapiência e seu espírito conciliador tudo fez para eu desistisse da decisão tomada, o que não aconteceu porque novos planos já estavam em andamento. Felicidade, progresso e sucesso para todos da nossa querida Rádio Educadora de Sobral.

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