SENADOR DOS BOIS

Granja foi berço de ilustres e famosos neosobralenses. Em 24.03.1795, ali nasceu Francisco de Paula Pessoa, o futuro Senador dos Bois, perífrase por tornar-se o maior pecuarista do circuito regional. Precoce desenvolvimento intelectual, na idade em que seus contemporâneos se achavam ainda entregues aos descuidos da adolescência. Francisco de Paula Pessoa, associando aos estudos, já se animava assumir uma individualidade própria e a tomar sobre si o timão do seu futuro.

Antes da nomeação para o Senado pela Corte Imperial, vinha-se destacando como probo e próspero comerciante andarilho, percorrendo as fronteiras nordestinas, além de sua lhaneza, versátil e rica cultura pessoal. Aos 24 anos, escolheu Sobral como novo berço, estabelecendo-se em nossa Princesa, em 1819, onde casou-se com D. Francisca Maria Carolina, consorte que possuía todos os dons e virtudes que fazem do lar um paraíso. Constituíram família, nascendo, então, em 24.03.1828, o filho sucessor no Senado Imperial, por escolha de D. Pedro II, o magistrado Vicente Alves de Paula Pessoa.

Francisco de Paula Pessoa (Granja, 1795/Sobral, 1879), foi militar, deputado provincial e Senador do Império de 1849 a 1879. Coronel-Comandante da Guarda Nacional, depois de haver sido Capitão-Mor em nossa Sobral. Por opção própria, também comboieiro de sua boiada, daí ser popularmente respeitado como “Senador dos Bois”.

No seu currículo, a fértil imaginação popular assegurava que, ao completar 82 anos, com a saúde comprometida, genuflexo à Maria Santíssima, suplicou: “Nossa Senhora, minha protetora, ultrapassei 80 anos, assumi a cadeira senatorial, além de um filho também senador, ferrei número superior a duas mil cabeças de gado; conceda-me mais algum tempo na terra. Faleceu aos 84 anos, em 16.07.1879. Sepultado está no único túmulo de mármore na Igreja da Sé, à esquerda de quem entra pela porta principal. No Museu Diocesano D. José, encontra-se seu pôster com síntese de sua trajetória.

O Sen. Francisco de Paula Pessoa construiu para sua residência, no triênio de 1836 a 1839, o prédio onde continua funcionando o Colégio Santana, por ter sido posteriormente adquirido por D. José. Do chalezinho no topo do segundo pavimento do sobrado, costumava, além de estudar as precipitações pluviométricas, deliciava-se em apreciar seu rebanho bovino pastando pelas ribeiras do Rio Acaraú, no descampado em que se destacava no alto a Bela Matriz, cuja Primeira Igreja surgiu de 1742 a 1746; a segunda e imponente Catedral teve suas torres elevadas de 1836 a 1853.

Naquele sobrado, juntamente com o Pe. José Alencar, Presidente da Província no Ceará, resistiram aos ataques dos conservadores da Sedição de Sobral, em 1840.

Antes do poderio político, social e econômico, o Sen. Paula Pessoa, saneava sua alma com a caridade pela inabalável formação católica. Seu respeitável sobrado constituia-se em acolhedor dispensário, tendo à frente seu cônjuge, D. Carolina.Abrigava, não só os perseguidos correligionários do Partido Liberal, como, sobre tudo, os flagelados das repetidas secas. No seu abençoado lar, encontravam o pão, abrigo e agasalho. Com o recatado apoio religioso, material, psicológico e discreto à miséria envergonhada, tornava-se em alento a algumas almas desesperadas duvidarem da Providência.

 

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