Temas Cotidianos

Cavaleiro da Paz e do Amor

Dizem que um amigo ao encontrar Victor Hugo, após a eleição do escritor de “Os Miseráveis” para a Academia Francesa de Letras, exclamou: “Imortal”. Hugo retrucara. “Imortal, eu? Não. Verdadeiramente imortais são os santos católicos que quase 2000 anos depois de sua morte ainda recebem culto. Quanto a mim, 200 anos depois de minha morte, talvez um ou outro escritor lembre algum dos meus escritos”.
Esses detalhes me vêm à mente porque nos últimos dias em que me desafio na investigação da vida de um cristão que pode vir a ter sua santidade reconhecida pela Santa Igreja Católica, Mons. Arnóbio de Andrade, que conviveu conosco, bebeu da água do Acaraú, celebrou na Sé de Sobral e deixou suas irmãzinhas missionárias reparadoras do Coração de Jesus, entre nós!
Admiravelmente, 790 anos depois da canonização de certo Francesco di Assisi, il poverello, o pobrezinho, ele ainda nos fascina. É figura universal. Admirado por santos, papas, poetas e gente do povo. No interessante “Fragmentos de Teologia”, do Prof. Dr. Antonio Colaço Martins, da Academia Brasileira de Hagiologia, lemos valioso capítulo dedicado a Francisco de Assis “Um santo Chamado Francisco”, no qual o autor diz-nos que Francisco “é um santo muito atual, que continua lançando desafios ao nosso tempo, apesar de ter vivido no século XIII”.
Tão atual é, que quando eleito Papa, o então Cardeal Bergoglio, que conheci em Buenos Aires, nos tempos de meus estudos de mestrado e doutorado, escolheu o nome de Francisco, com o qual é conhecido em seu pontificado. Sendo o primeiro papa Jesuíta da história, achava-se que ele escolhera o nome em homenagem ao santo jesuíta padroeiro das missões, São Francisco Xavier, mas, não, foi em homenagem ao pobrezinho de Assis mesmo.
Um livro lançado nos últimos meses, de autoria de Guilherme Samora, traz em seu subtítulo, uma síntese do que foi este homem que se tornou santo (título de uma peça que dá saudade toda vez que lembro, dirigida por José Alberto Simonetti, que era encenada em Canindé, capital franciscana do Brasil): “A biografia do homem que nasceu rico, jogou seu dinheiro pela janela, defendeu os animais, ficou nu na frente das autoridades e virou santo”. O autor é jornalista e durante muitos anos ensaiou esse trabalho sobre Francisco e, ao invés de pedir a um notável da Igreja para escrever a nota prefacial, escolheu a cantora Rita Lee que compara o santo a um superstar e diz que ele a representa, ela que “sempre teve xodó por esse homem de Deus”. Assim é Francisco, São Francisco de Assis.
Outro dia percorri seus caminhos. Fui à casa de seus pais. Ao estábulo onde teria nascido; à Basílica de Santa Clara e chorei ao chegar à sua Basílica, onde teve última sepultura. Foi no dia 3 de outubro de 1228, ao anoitecer, que ele partiu ao encontro de Deus. Dois anos depois era canonizado, declarado santo pela Igreja. Antes, fora cavaleiro nas cruzadas. Seu amor à igreja e seu desejo de paz, o fizeram perpassar os séculos, tornar-se permanente modelo de vida e de santidade.
Finalizando, faço uma prece pelo Brasil, para que São Francisco interceda a Deus por nosso futuro que começa a ser traçado nas urnas eleitorais neste dia 7 e, ainda, a ensinar-nos a vivenciar o amor incondicional a Deus e ao irmão, sem ódio.

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