MARIINHA PAIVA

Cantinho da Saudade - Mariinha Paiva

Ela só deu à luz uma criança, o famoso seresteiro Paivinha (Francisco César Paiva), mas é considerada mãe para muita gente de Sobral e de toda esta região. Maria César Paiva nasceu em Fortaleza (CE) em 1907. Depois de conseguir diploma de Parteira, em 1926 foi primeiramente trabalhar em Camocim. Casada com um policial com quem teve apenas um filho, logo cedo separou-se do seu marido. Passou a dedicar-se de corpo e alma à profissão, ao filho e à jovem Maria das Graças Sousa Nascimento, que com ela morou até casar-se.

Chegando em Sobral fixou residência na Rua Menino Deus, casa nº 3 (no recuo da pracinha em frente à igreja), onde se destacava a placa: “MARIINHA PAIVA – PARTEIRA DIPLOMADA”. Vale salientar que sua residência foi o local onde antes se instalou o primeiro PABX em Sobral. Lá seu sobrinho Juarez mantinha contato com diversas localidades.

Como funcionária pública do antigo Posto de Saúde de Sobral, durante muitos anos Mariinha Paiva prestou relevantes serviços à comunidade local, deixando recordações que ainda emocionam companheiros de trabalho. Conseguiu aposentar-se pela Previdência oficial no dia 24 de maio de 1967, mas continuou trabalhando.

Muito comunicativa, sempre animava as suas gestantes com frases como: “Vamos lá, vamos lá pra ver se arranja logo outro!”. Extremamente organizada com seu trabalho, Mariinha Paiva mantinha um registro de todos os nomes das parturientes que atendia, informando detalhes preciosos, tais como: Número do parto, nome da gestante, horário de nascimento, sexo, forma como foi extraída a criança, etc.

Nomes de importantes senhoras da cidade de Sobral constam de suas anotações. Sempre numerava e totalizava os partos feitos, com curiosidades importantes, escritas de próprio punho, como: “Do ano de 1926 a 1945 – 2.076 partos; 1926 a 1956 – 3004. Até 1964 (38 anos de profissão) – 5.237; até 1966 – 5.432. Dezembro de 1926 a 1970 (44 anos de profissão) – 5.941 partos.

Muitos nomes de senhoras sobralenses que “descansaram” com Mariinha Paiva chamam a atenção, dentre essa gente importante, uma chamou mais a atenção pelo fato do destaque nacional que chegou a ser aquele bebê “apanhado” por Mariinha Paiva. Tem lá: “Parto nº 330 – Dinorah Aragão descansou uma criança do sexo masculino do dia 13 de janeiro de 1935”.  Atualmente a criança é o famoso humorista Renato Aragão. Segundo depoimentos de quem conheceu Mariinha Paiva, seu espírito caridoso e o seu desprendimento de bens materiais eram a explicação para o fato de atender prontamente a todas que a procuravam, não importando a condição financeira.

Depois de 44 anos “ajudando” os sobralenses a nascerem, já adoentada, acometida de diabete, hepatite e portadora de um ciste no braço, Mariinha Paiva mudou-se para Teresina (PI) no início dos anos 1970, indo residir com o filho Paivinha. Mesmo assim, ainda veio a Sobral algumas vezes, ocasiões em que chegou a se submeter a duas cirurgias.

Maltratada pela hepatite, diabetes e cistos, dona Mariinha Paiva (Maria César Paiva – Parteira Diplomada) faleceu em agosto de 1974, na capital piauiense, aos 67 anos, ao lado do filho único, que poucos anos depois também veio a falecer.

Eis aí, portanto, um pequeno relato da história de uma mulher fisicamente pequena, que conseguiu gerar apenas um filho, mas que pela grandiosidade do seu coração e do seu trabalho conseguiu ser a “grande mãe” de incalculável número de sobralenses.

Apesar de fortalezense, indiscutivelmente Mariinha Paiva faz parte da história de Sobral e da vida de muitos sobralenses. A Câmara Municipal prestou-lhe uma homenagem dando seu nome a uma das ruas do bairro Cohab I.

 

UMA PRECE PELA ALMA DE MARIA CÉSAR PAIVA – MARIINHA PAIVA)

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