PADRE JOÃO BATISTA FROTA, À PROCURA DAS PEGADAS DE CRISTO

Concluído o curso de teologia na Universidade Gregoriana em  Roma, o jovem João Batista Frota, natural de Santana do Acaraú, egresso dos seminários São José, de Sobral, e da Prainha, de Fortaleza, continuava sonhando “com uma igreja pobre e servidora, sem pompa, nem luxo, priorizando a pessoa, os pequenos e não o institucional, o jurídico, o ritual; sonhava com uma Igreja comunidade de irmãos que partilhasse a palavra, a eucaristia, o pão, a exemplo das comunidades primitivas descritas nos Atos dos Apóstolos. Sonhava com bispos e padres morando não em palácios, mas em casas simples, iguais às da maioria da população, e que fossem reconhecidos não por suas indumentárias vistosas ou por seus carros de luxo, mas pela simplicidade, pobreza e pela sua atenção e solidariedade para com os pequeninos e sofridos.” (1)

            Pois bem! O jovem João Batista, embora apto a receber o sacramentos da Ordem, “não queria ser padre conforme o figurino tradicional.”  Queria buscar  horizontes que o conduzissem à Igreja dos Pobres.  Buscou caminhos no ideário de Dom Helder, Dom Aloísio, Dom Fragoso  e nos trabalhos da comunidade Companheiros de Jesus fundada pelo padre Paul Gauthier, na Palestina. Assim é que na meia noite de primeiro de novembro de 1964, com autorização de dom Mota, parte de Roma com destino ao Líbano. Após travessia tempestuosa atravésdo mares Adriático, Egeu e Mediterrâneo, a bordo do pequeno navio Kipros, chega a Beirute, com passagem por Corinto. Vai a Damasco. Aí visita a casa de Ananias, onde o apóstolo Paulo ficou curado da cegueira. Depois toma o ônibus para Jordânia. Em Jerusalém, visita lugares e pessoas. Vai ao Monte das Oliveiras. Segue as pegadas do Mestre, no percurso do  Getsemani, da igreja do Pai Nosso, Santo Sepulcro, Cedron, enfim dos lugares santos, testemunhos da vivência e passagem do Divino Mestre.

Concluída a travessia de Jerusalém, vai morar nas proximidades de Belém e aí passa a trabalhar como servente de pedreiro na construção de uma escola, ocasião  em que, calejando o corpo no trabalho braçal, fortalece o espírito no meio daqueles homens de mãos calosas, naturais de terras distantes, e portadores de línguas e culturas diferentes, mas filhos do mesmo Deus. E assim vai, cada vez mais, naquelas regiões, encontrando sinais vivos deixados pela passagem dos profetas e do povo de Deus, nas figuras de Abraão, Sara,  Isaac, Jacó, Raquel, Agar e Ismael. Vivencia o natal de 1964 em Belém. Convive com judeus e muçulmanos. Banha-se no Mar Morto. Depois, deixa de ser servente de pedreiro e torna-se plantador de bananeiras no kiboutz Degania Alef, em Israel.  Sobe o monte Tabor e sente-se na companhia de Pedro, Tiago e João e contempla do alto a planície de Esdrelão. Num bairro religioso judeu partilha, com uma família judia, a ceia pascal. Convive com judeus, árabes, essênios e refugiados palestinos. Finalmente, confessa a energia saída da Fé, brotada pela convivência com os seus colegas serventes de pedreiros; energia também passada pela resposta de Pedro a Jesus, em Cafarnaum; energia transmitida na partilha fraterna da comida posta sobre a mesa do chão no local de trabalho. Finalmente uma experiência de fé.

Seguidor das pegadas de Jesus, ordena-se em 26 de março de 1966.

São cinquenta anos de ministério presbiteral, sempre seguindo os passos do Mestre, empregados no plantio de Marcos de Esperança (2) por onde passa.

Enquanto o Batista, precursor do Messias é, na religiosidade popular, representado por um santo que ampara nos braços um cordeiro, símbolo da mansidão, o nosso João Batista, retrato da própria mansidão, poderia ser lembrado, hoje e pelas gerações vindouras, como um santo que segura nas mãos operosas um cabrito,  emblema da resistência de nós, nordestinos, e da esperança de um povo que acredita no Cabra Nossa de Cada Dia e no seu trabalho de pastor.

Padre João Batista Frota, dai-nos a vossa bênção de filho de Deus, sacerdote amado por um povo que o respeita e o admira muito.

  • – Trecho do livro Procurando as Pegadas de Jesus. Do padre João Batista
  • – Título de livro de autoria do padre João Batista Frota

Joab Aragão

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