BAIRRO SUMARÉ FAZ A FESTA DOS 50 ANOS DE ORDENAÇÃO SACERDORTAL DO PADRE JOÃO FROTA

Hoje, dia 2 de abril, Sobral está em festa. Celebramos, com muito júbilo, o Jubileu de Ouro Sacerdotal (50 anos) do estimado padre João Batista Frota. O Bairro Sumaré, escolhido por ele para ser o lugar de sua moradia é quem faz a festa, com a presença dos amigos dele. A coluna EM DIA COM A IGREJA quer também estar presente levando aos leitores o que publicamos sobre ele há, exatos, 10 anos, quando da celebração dos 40 anos de seu sacerdócio. Naquele ano, das comemorações constou também  o lançamento, na UVA,  de mais um livro do padre João Frota: “Nas pegadas de Jesus”, junto com a apresentação da obra da professora Ruth Teixeira (da Bahia) que divulgava nos meios acadêmicos a elogiada iniciativa de largo alcance social que é a obra social dele “Projeto Cabra nossa”. Eis, na íntegra, o que foi publicado no jornal Correio da Semana:

                                                                                                           

                                         “NEM DOU MUITO VALOR A ELE!. ..

O telefone tocou. Logo de manhãzinha. Estava eu em Cruz, ouvi e falei: – “Mas … , eu nem dou muito valor a ele!…”. Ao telefone, parecendo grosseiro e verdadeiro, respondia eu assim à senhora Márcia, secretária do Reitor Teodoro que, de Sobral, me pedia escrevesse alguma coisa sobre o padre João.

– Sim … mas fale assim mesmo … É uma homenagem que vamos prestar a ele por ocasião das celebrações dos seus 40 anos de sacerdócio”, retrucou ela, desconfiada talvez ..

Para continuar a conversa, transferi o fone para o próprio padre João Batista Frota que, por mera e precisa coincidência, estava ali sentado ao meu lado, naquele exato momento, pois acabara de chegar à minha casa, vindo de Sobral.

De passagem para Jericoacoara, ele viera no seu melhor transporte – quase uma relíquia – o bem conhecido fusca azul escuro, símbolo do seu desprendimento, de sua nenhuma vontade de aparecer ou do pouco cuidado com o seu conforto pessoal ­características tão suas; dele que se fez referência para muitos de nós, seus colegas e admiradores.

E o que ia ele fazer naquela paradisíaca e famosa praia, centro do intenso fluxo turístico que se abriu agora nesta região Norte do Ceará? Escolher, pessoalmente, em qual pousada iria ele deixar, por uma semana, o casal alemão amigo que, no próximo mês, iria chegar em visita ao Ceará. Tinha que ser um ambiente propício a uma estada, a mais agradável possível, em face dos modos particulares, os quais ele conhecia bem, daqueles seus futuros hóspedes fruírem lazer. Coisas de amigo… De amigo que tenta afastar do outro os riscos do desconhecido.

Este modo tão fraterno do padre João receber e acolher o outro não é surpresa para nós que vivemos em seu meio. Ele é um testemunho permanente da alegria em servir a quantos cruzarem pelo seu caminho, ou precisarem de uma ação sua. Sem exclusões. Faz assim com os humildes e pobres de sua Paróquia, e da cidade toda. Também com os da elite social.

Foi este, aliás, o comentário que, bem recentemente, me fez um de seus devotos paroquianos, quando disse: “Aqui ele tem trânsito livre e afetivo, tanto com os mais simples e abandonados de nossa comunidade, como com aqueles que ostentam luxo e poder”. Se o quisesse, poderia, com justeza, ter acrescentado: ” … sem subserviência, nem segundas intenções, mas tão somente pelo desejo mesmo de servir e levar a outrem a sabedoria do bom uso dos bens na construção de uma sociedade mais justa e igualitária, sem injustiças sociais”.

Aprendi com ele que pastoral é mais relações humanas. Também que o burocrático e o jurídico jamais podem sobrepor-se ao pastoral, no relacionamento do padre com os seus “fregueses”. Quem o tem escutado em sua pregação sabe que é isto mesmo que ele vê no Evangelho, ao lê-lo, ou ao refletir sobre ele. E é isto também que a gente lê na vida que o padre João leva, carregada de grandes ensinamentos para padres e leigos. Atos que, a gente sabe, é fruto do seu estilo pastoral de estar sempre convivendo no meio dos deserdados e excluídos que vegetam nos alagados e bairros pobres da periferia da cidade, nos Altos do Cristo, nos Pantanais, ou nas pequeninas vilas rurais do vasto território paroquial, onde ele aprendeu, na prática, a sua visível e eficaz sensibilidade diante dos sofrimentos humanos.

Não é sem razão que sua criatividade já foi até manchete nacional, adquiriu imitadores e fez crescer, em pequenas comunidades, tanto a esperança de dias melhores como também os índices do desenvolvimento humano (IDH) com o Cabra Nossa, um ícone pela busca por soluções práticas e viáveis para o combate à desnutrição materna e infantil.

Olhando suas prioridades de cidadão do mundo e da Igreja, vejo-o como alguém sempre interessado em estar “antenado”, procurando permanecer atualizado com as hodiernas preocupações de um humanista e de um homem de Igreja. É assim que eu o vejo como padre e como professor na Universidade Vale do Acaraú (UVA) e no Instituto de Teologia e Pastoral (ISTEP), onde é mestre nas disciplinas da área das ciências antropológicas.

Aos que não o conhecem, nem o seu pensamento, sugiro lerem as duas interessantes obras que publicou: Marcos de Esperança (2a edição, 1995) e Construindo o Amanhã (1997). Reunindo meditações, orações, relatórios e crônicas de viagens à “Europa, França e Bahia”, além de serem um testemunho sobre uma etapa da História da Igreja do pós-­Concílio, no mundo e em nossa região, são aquelas publicações um retrato de suas preocupações e de suas lutas, e bem uma amostra de um homem de sentimentos, marcado pela simplicidade e pelo amor à natureza e ao ser humano. Para “Construindo o Amanhã”, deu-me ele o privilégio de fazer a apresentação da obra e do autor, oportunidade em que, entre outras coisas, escrevi, na conclusão, o que, estou vendo agora, cabe muito bem nesse momento:

“Sua atividade pastoral nas Paróquias de Santana do Acaraú (1968 a 1971), Massapê (1971 a 1989) e agora em Sobral (Paróquia do Patrocínio, desde 1989), tem sido marcada de projetos que falam de um líder apaixonado pelo irmão menor e sofredor, e que refletem seu ministério presbiteral na vivência de uma eclesiologia moderna, gestada na aceitação dos ensinamentos do Vaticano II. Aí estão o Cetrema, Ceprhuma, a Cooparmil, o Centresum, o Cepropri e tantos outros institutos que saíram das mãos férteis deste evangelizador que cedo aprendeu que “a promoção humana faz parte da Evangelização”(Paulo VI).

Apesar de o autor ser dotado de invejável inteligência, apesar da sua reconhecida responsabilidade nos anos de formação seminarística, penso que mais do que nos estudos acadêmicos, foi na contemplação e no contato permanente com a natureza e as pessoas, atitudes que ornam sua personalidade -, que padre João adquiriu a sabedoria e a experiência presentes em cada parte de “Construindo o Amanhã”.

Excelente criatura humana, de trato amigo e fraterno, sacerdote e cidadão, os ensinamentos que o autor transmite nesta obra são uma experiência de vida que permite à família, à Igreja e à sociedade elaborarem melhor os caminhos da fé, na construção da felicidade, da paz e da justiça. Padre João escreveu com alma.

Num mundo de tantas crenças e de tantos pregadores, um testemunho é uma pérola preciosa, da mesma natureza daquela sobre a qual falou Jesus no Evangelho. Acho que, porque as coisas são assim é que eu, agora sim, falando com afeto e verdade, te digo que dou muito valor a ele, senhora Secretária.”.

*Coordenador da Comissão Diocesana da Doutrina e da Fé, e Pároco de Cruz 

                      HINO DO JUBILEU DE OURO

                   Monsenhor JOÃO BATISTA FROTA

 

(26 de março de 1966 / 2 de abril de 2016 )

Letra: Padre Manoel Valdery da Rocha

Música:

 

01.Neste altar, p’ra mostrar bem-querer

Sacerdotes e leigos hoje vêm

Patrocínio, Santana e Massapê,

Religiosas e amigos também!

 

       Coro: Sumaré, onde moras, aqui vem

Com alegria festejar JUBILEU!

Parabéns, parabéns, parabéns…

Este padre foi Deus quem nos deu!

 

  1. Lá em Roma, Paris e Israel

Te educaste num santo ideal:

Servir pobres e ser-lhes fiel,

Celebrando, sem fome, o Natal!

 

  1. Promoção e Evangelho é o lema

De um novo “Batista” na Igreja:

Centressum  e Ceprhuma e Cetrema…

Cepropri !… É a tua peleja!

 

  1. Oratórios, capelas e creches,

“Joãos de Barro”… também “Cabras Nossas”:

Teus projetos, tuas lutas e preces.

Sustentar, nós pedimos, tu possas!

 

  1. Na Diocese e Paróquias… na UVA

Tu fizeste uma grande missão…

Deus derrame, de “ouro uma chuva”,

Homenagem do céu…, padre João…!

(Observação: Pronúncias

Centresum (Centressúm)                Cetrema (Cetréma)

Cepropi ( Ceproprí)                Ceprhuma ( Ceprúma)

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