Bispo Dom Vasconcelos participa da 54ª Assembleia Geral da CNBB no Santuário Nacional de Aparecida

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Araújo Pachelle, diretor do jornal, Dalila Lima, Dom Vasconcelos, Querolaine Carvalho e Janna Paula

Nos dias 6 a 15 de abril,reuniram-se cerca de 320 bispos de todo o paísna 54ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), realizada no Santuário Nacional de Aparecida.

O tema central da edição foi “CristãosLeigos e Leigas na Igreja e na Sociedade – Sal da Terra e Luz no Mundo”, ressaltando a importância do Cristão dentro da igreja e na sociedade.Entre os temas prioritários,teve o “Pensando o Brasil: crises e superações” e as mudanças do quadro religioso no país.

O Bispo diocesano de Sobral, Dom Vasconcelos participou da Assembleia e em entrevista ao Jornal Correio da Semana, fala um pouco da importância dos temas abordados para a sociedade, incluindo a atual situação política brasileira.

-Qual a importância do tema escolhido pela CNBB para a realidade do país?

“Primeiro de tudo, o que é igreja? A igreja é o povo de Deus. Às vezes há uma confusão em relação a hierarquia da igreja, as pessoas falam sobre a posição da igreja como se elas não fizessem parte dela. Então, nós falamos sobre a importância do papel dos leigos e leigas, que não significa que a pessoa é leiga no assunto. Leigo na igreja significa “povo de Deus”. Nós somos um povo sacerdotal, profetas e reis ungidos pelo batismo. Todo nós. Nesse tema nós destacamos a importância do laicado na igreja e na sociedade. Muitas vezes a gente se preocupa muito com os pastores, os padres, com os bispos, nos preocupamos com o engajamento e participação dos leigos, pra que eles se sintam protagonistas da ação evangelizadora. Mas, nesta Assembleia nós vimos também que a nossa preocupação precisa fazer com que os leigos não estejam voltados só para dentro da igreja, como catequista, como evangelizador ou como missionário, mas, também como sociedade. Como ser sal da terra, como ser fermento da massa. Como você dá testemunho cristão na sociedade. Isso é importante pra você tomar consciência que você é também é igreja, onde você estiver. É você assumir seu papel em outros segmentos.”.

-Estar na casa de Nossa Senhora de Aparecida, em um contato mais próximo dos devotos, ajuda você em quais desafios?

“A assembleia Nacional dos Bispos antigamente ocorria sempre em Itaici, no convento dos jesuítas e já alguns anos, a assembleia foi transferida para Aparecida. Inclusive, a Conferência Latino-Americana – onde o Papa Francisco participou – aconteceu também em Aparecida. As missas que são realizadas diariamente nos proporciona um contato com o ícone da fé. A imagem de Nossa Senhora de Aparecida nos fala muito. A gente percebe a simplicidade que o povo tem e vê todos os bispos reunidos ali. O povo reza por nós, há um carinho muito grande quando a gente vai entrando e saindo, as pessoas saúdam e pedem a bênção. Então a gente sente essa proximidade. Além do mais tudo é transmitido diariamente através dos meios de comunicação como a Rede Vida, TV Aparecida e a gente sabe que nossas dioceses estão nos vendo, vendo nossa participação e isso nos fortalece muito. Nas missas temos nosso momento de oração e o povo ora com a gente, o que nos fortalece porque muitas vezes a espiritualidade das pessoas é muito mais forte do que a nossa, que é um tanto racional.”.

-Qual a visão da CNBB sobre a atual situação política do Brasil?

“Foi um assunto tratado a atual situação do país. Primeiro foi feito uma declaração por nós bispos católicos do Brasil frente à profunda crise ética, política, econômica e institucional. A crise não é só uma crise política. Ela é, primeiramente, uma crise ética. Quando falamos em corrupção, a corrupção está presente em todas as instâncias. Nós temos políticos corruptos como, também, uma sociedade que corrompe. Eu vou dar um exemplo bem tranquilo: nós vamos votar em governo municipal. Existe o poder executivo e o legislativo. Qual é a função do poder legislativo? De um vereador? A função dele é legislar, é fiscalizar os orçamentos. Então o vereador não pode dizer que vai dar uma dentadura, um calçamento de uma rua porquea função dele não é executar, é legislar. Mas, se ele não fizer isso, o povo não vota nele. Muitas vezes a sociedade é que corrompe o vereador porque vê nele o que não é função dele. É terrível nós presenciarmos os deputados que vão falar em nome de seus parentes, de seus filhos e etc. Parece que não estão representando o povo. Estão representando a sua família, os seus interesses pessoais e as empresas que financiaram suas campanhas. Então há uma crise ética e isso nos angustia porque nós somos pastores do povo de Deus, sobretudo dos pobres e daqueles que sofrem. Tudo isso nos diz respeito. Na declaração que fizemos nós observamos uma trajetória, que depois de vinte anos de recessão, o Brasil retornou à experiência de um estado democrático de direito. Foram muitos direitos conquistados. Mas, neste momento o país mais uma vez se encontra em uma situação de rachadura, vem à tona escândalos de corrupção sem precedentes na história. Não é um governo ou partido corrupto. Nós vemos a corrupção por todas as partes. E quem sofre mais? Certamente que são os pobres. O que a CNBB espera é que os acusados sejam julgados pelas instâncias competentes. A gente vê como o impeachment é apresentado, não uma questão jurídica. É uma questão política. Nós esperamos que as instâncias competentes cumpram o seu papel e façam justiça.”.

-Sobre os temas abordados, quais os frutos que as dioceses podem esperar para os próximos anos?

“A CNBB tem várias comissões. Foram muitos assuntos abordados e o melhor de tudo isso é a gente tentar fazer um trabalho em conjunto, uma pastoral orgânica, um trabalho que seja feito pelo Brasil inteiro. Não é só aqui ou em outra diocese. É fazermos um trabalho em conjunto a partir das prioridades que foram escolhidas na Assembleia.”.

 

Por Querolaine Carvalho, Dalila Lima e Janna Paula – Alunas do 6º período do Curso de Jornalismo das Faculdades INTA

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