“Enxugando Gelo” define o atendimento aos traumas causados por acidentes de motos

trânsito é discutido na cãmara (5)

A assistência ao trauma em Sobral, leia-se Emergência dada pela Santa Casa de Misericórdia de Sobral, há muito vem preocupando os gestores da saúde e a situação só agrava-se. Apenas para ilustrar o relato acima, durante o mês de janeiro deste ano, foram realizados 3.258 atendimentos na Emergência da Santa Casa. Destes, 1.091 foram atendimentos de emergência traumatológica, sendo 850 casos cirúrgicos. Não entram nesta estatística os pacientes que são atendidos na Emergência e, por não apresentarem traumas ou lesões graves, são liberados para casa. Outro dado preocupante é a faixa etária destes pacientes. Foram 909 atendimentos na faixa etária de 20 a 39 anos, jovens e adultos que em sua idade produtiva, se não conseguirem uma boa recuperação, já estarão inutilizados ou então esperando uma cirurgia eletiva (aquelas que o paciente pode esperar por não apresentarem risco iminente de morte), entrando em uma fila de espera que só aumenta dia a dia.

O quadro deixa angustiado, além dos familiares de quem é vítima deste tipo de acidente, os gestores da saúde de Sobral. É uma situação que traz a reboque uma série de problemas. Isto, porque, além das vidas que são ceifadas, das sequelas que incapacitam centenas de jovens, das famílias que têm o seu sustento comprometido, quando estes traumas atingem o chefe da família, os custos com a saúde e a previdência social, decorrentes dos afastamentos laborais, a Santa Casa de Misericórdia de Sobral não consegue atender aos milhares de pacientes que precisam de cirurgias eletivas por conta do intenso fluxo na emergência e uma constante superlotação de leitos para internação. São jovens, adultos e idosos que, em sofrimento, aguardam vagas no Hospital. Este assunto foi tema de audiência pública na Câmara de Vereadores, na última terça-feira (15), onde os gestores da saúde esclareceram tal cenário.

 O momento foi solicitado pela Comissão de Saúde da Câmara, sendo provocado pelo vereador Gegê Romão. Na sua justificativa, o edil ressaltou que a audiência tinha como objetivo esclarecer o motivo da suspensão das cirurgias eletivas na Santa Casa e ao mesmo tempo uma forma de contribuir em encontrar uma solução para o problema. Segundo o vereador, hoje há uma fila de espera por cirurgias eletivas que já soma mais de mil pessoas.  Na oportunidade, compareceram à audiência, para prestar os devidos esclarecimentos, a secretária da saúde de Sobral, Drª Mônica Lima, o diretor técnico da Santa Casa, Dr. Cristiano Araújo Costa, o diretor administrativo deste hospital, Zózimo Medeiros, além da presença do secretário adjunto da saúde, Zezé Leal, e o advogado Domingues Ponte, representando a Comissão de Saúde da OAB/Sobral. Na plateia, populares, profissionais da saúde e representantes de vários segmentos sociais.

Após a exposição pelos vereadores, de todos os questionamentos sobre as cirurgias eletivas, os gestores da saúde presentes à plenária foram convidados a explicar tais situações. O Dr. Cristiano Araújo informou que desde o dia 1º de março os procedimentos de cirurgias eletivas foram retomados e que neste mês já foram realizadas 223 cirurgias eletivas, através do programa Vida Nova, que é um recurso financeiro que não compõe o teto financeiro disponibilizado pelo SUS. “É claro que a Santa Casa tem interesse em fazer estas cirurgias, mas o hospital não consegue realizar por conta do fluxo intenso das cirurgias de emergência”, explica Dr. Cristiano Araújo Costa. Com a palavra, o diretor administrativo Zózimo Medeiros explicou como se dá o fluxo e os encaminhamentos das cirurgias eletivas, bem como a preocupação da administração da Santa Casa em melhorar os serviços e a assistência para os seus usuários. “Com este propósito, a Santa Casa está realizando uma série de obras, como a ampliação da enfermaria pediátrica, um acelerador linear que será disponibilizado pelo serviço de Oncologia para tratamento de câncer, além de outras melhorias em outros setores no hospital”, disse Zózimo Medeiros.

Respondendo pelo gestor municipal, a Drª Mônica Lima explicou que o teto financeiro para saúde, disponibilizado para Sobral, é global e que hoje é consumido pelas cirurgias de urgência e emergência, não conseguindo contemplar as cirurgias eletivas. “O paciente de emergência acaba ocupando um leito por até 20 dias e não tem rotatividade de leitos, pois o volume de cirurgias de urgência e emergência, principalmente traumas, e as fraturas graves por acidentes com motocicletas é muito grande. Hoje são 60 leitos na Santa Casa ocupados com pacientes com esse perfil, grave, pois Sobral é município pólo dessa região para a assistência em trauma e todos os casos dessa natureza são drenados para a Santa Casa. Então, o teto de Sobral não é só pra cá, é para atender todos os municípios da região Noroeste do Estado, por isso ficamos sufocados, mesmo querendo atender não temos condição, pelo volume de casos”, explica a secretária. Na oportunidade, ela informou que haverá uma reunião com ela e o secretário da saúde do Estado, Henrique Javi, juntamente com os médicos traumato-ortopedistas de Sobral para que os profissionais apresentem um plano de trabalho, tendo em vista a realização de cirurgias eletivas traumato-ortopédicas com o objetivo de zerar a fila de espera destes procedimentos cirúrgicos Sobral.

 

Vanderley Moreira – Jornalista Profissional/CE 1641

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