Os Dias Grandes.

Logo na sexta-feira que antecede a Semana Santa nós entrávamos no clima da Paixão de Cristo. A imagem de Jesus carregando a cruz percorrendo as principais ruas da cidade e o encontro d’Ele com Maria, sua mãe, Nossa Senhora das Dores, nos emociona(va) profundamente. Sábado era dia de ir à cidade comprar os mantimentos para os Dias Grandes, sem esquecer-se de trazer um pouco a mais para doar aos que vinham pedir “esmolas” para jejuar. Ainda no sábado à tarde, acompanhávamos nosso pai para a retirada do melhor “olho” de palmeira para o Domingo de Ramos, quando íamos à Missa vespertina e voltávamos para casa contritos, pois, os dias seguintes seriam de profunda reflexão. De início, não lembro bem, penso que o feriado se estendia por toda a semana. Assistíamos na TV, em preto e branco, a Paixão de Cristo, em vários episódios. Como no sítio só tinha TV lá em casa, os vizinhos acorriam e esta era posta do lado de fora, quando não chovia. Nossos vizinhos, parentes, amigos e nós mesmos, nos emocionávamos. Depois, o feriado foi se resumindo. Só a partir da quarta-feira de trevas, data que lembra a traição de Judas e a entrega de Jesus aos seus carrascos, era feriado. Com o passar do tempo, o feriado se dava a partir da quinta-feira santa, data importantíssima para os cristãos e, especialmente, para os cristãos-católicos: celebração do lava-pés, instituição do sacerdócio e da Eucaristia. Atualmente, o feriado é sexta-feira da paixão. Mas, no íntimo continuo achando que a semana toda é santa. São os dias mais importantes para a nossa fé cristã. Temos um vínculo deles com o Natal, pois, o Deus que se fez menino terno naquela festa, após sofrer horrores, por amor a nós, ressuscita/renasce triunfalmente.

Um passado que se renova. Aproveitando o recesso da Universidade, uma semana antes da Paixão de Cristo, retorno ao lar paterno, e, mesmo com tanto modernismo, no ambiente familiar sinto o mesmo clima em relação àqueles sagrados ritos e ao preparo para os Dias Grandes. Papai, atento, se preocupa em comprar queijo, em saber se o feijão “novo” plantado lá no sítio da família, estará bom na Semana Santa. A mamãe lembra que sexta-feira de Passos não se comerá carne e parece que o tempo volta. Apesar de convalescer de um probleminha rápido de saúde que me fez desmarcar compromissos, a mamãe, com sua fé inabalável, me diz que Deus há de ajudar e ainda essa semana estarei bem. O clima de Semana Santa, como antigamente, se renova. Iremos às celebrações, rezaremos em família, jejuaremos na sexta-feira santa e cantaremos Aleluia no Sábado Santo, em preparo à Páscoa, pois, o Senhor Ressurgiu e sobre nós derrama bênçãos. Feliz Páscoa!

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