Temas Cotidianos

Viva São José. São José, “homem justo” (Mt 1,19), foi escolhido por Deus para ser o pai amoroso de seu Filho Jesus (cf. Lc 2,27.33.41.43 e 48), ao casar-se com Maria (cf. Mt 1,24; Lc 1,27), pertencente à estirpe de David (Mt 1,20; Lc 1,27), razão pela qual se deslocou com Maria Santíssima a Belém para se ressenciar e ali, num estábulo, nasceu o Salvador, Filho de Deus, Jesus, confiado a José, o carpinteiro de Nazaré, sobre o qual pouco sabemos, mas, que amou Jesus e Maria unicamente, mantendo sua fé no Deus de seus antepassados. Particularmente, estive na Igreja construída sobre sua carpintaria, em Nazaré, na Terra Santa, e, por ser meu homônimo, não tive como não me emocionar. A Quaresma, sabemos, é tempo de reflexão, de jejum, mas, no dia 19 de março, a Igreja se orna em festa para celebrar o glorioso São José, declarado Padroeiro da Igreja Católica pelo Beato Pio IX (Papa), em 8/12/1870. A devoção a São José é forte entre nós.

São José, padroeiro do Ceará. Consta que no final dos anos 1600, pescadores encontraram uma imagem do Santo no litoral cearense. Era São José de Ribamar, São José de Botas, declarado padroeiro de Aquiraz, primeira capital do Ceará. Após a mudança da Capital para Fortaleza, o padroeiro foi junto e depois, o proclamaram Padroeiro do Ceará, daí porque o seu dia, no calendário cívico cearense, – 19 de março – é feriado estadual. São várias as Igrejas e Capelas dedicadas ao Pai Amoroso de Jesus.

São José e as chuvas. Publicado em 1930, o romance “O Quinze”, de Rachel de Queiroz, narrando a drástica seca de 1915, assim se inicia: “Depois de se benzer e de beijar duas vezes a medalhinha de São José, dona Inácia concluiu: ‘Dignai-vos ouvir nossas súplicas, ó castíssimo esposo da Virgem Maria, e alcançai o que rogamos. Amém’”. Isso é prova de uma antiga tradição de que o povo cearense roga ao seu padroeiro pelas chuvas. Poeticamente diríamos que somos um povo que vive olhando para o céu, pois, para nós, diferente de muitos outros brasileiros, dia bonito é dia chuvoso. Costumeiramente, se diz que o inverno pode se confirmar até o dia de São José. Chovendo em 19 de março, temos inverno. Cientificamente, nas proximidades do dia do Santo, ocorre o equinócio que marca o início do outono que sempre traz chuvas sobre a terra. É um assunto de fé e ciência. Lembro-me de um costume antigo de se “roubar” a imagem do santo. Em toda casa, a imagem de São José ficava em local sempre visível e de fácil acesso. Quando a seca chegava, roubava-se, sigilosamente, a imagem do Santo. Quando as chuvas voltavam e o legume estava seguro – em festa -, a imagem era devolvida, levada para a residência de onde fora tirada, em andor, com cânticos, fogos e orações. Viva São José!

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